Não votei em José Sócrates. Não votei PS. Não consegui.
Acreditei que José Sócrates ia tomar uma série de medidas correctas, estruturantes, urgentes, impulsionadoras de uma nova realidade social, capazes de imprimir uma renovada e feliz dinâmica a Portugal e aos portugueses.
O executivo PS, acaba com regalias de funcionários públicos, forças de segurança, magistrados e militares e tenta iniciar uma nova etapa de governação rigorosa e ingrata, tomando medidas impopulares e melindrosas que, na minha opinião, merecem vigoroso aplauso.
Todo o país está consciente do problema das finanças públicas, toda a população concorda com uma reforma de fundo, desde que essa mudança não atinja o seu pequeno feudo, a sua quintinha, o seu mundozinho incompetente e desgovernado, que exploram com vicioso hábito.
Mas podemos censurar a indignação das classes atingidas, perante a falta de exemplo no próprio executivo? Quem é que explica ao Sr. X, reformado, residente no Centro de Dia de Maçal de Chão, que recebe 200€ de pensão, que não pode receber uma pensão maior porque é necessário fazer sacrifícios, porque se está a pensar no bem estar colectivo, quando se assistem diariamente a situações de inacreditável desperdício e incompetência?
A lei de limitação de mandatos (a entrar em vigor lá para 2040), a pseudo-redução do executivo (passou-se de 16 para 15 ministérios), as nomeações de Fernando Gomes e Armando Vara e a mais recente de Guilherme de Oliveira Martins para o Tribunal de Contas, as férias no Quénia após 4 meses como P.M., a demissão de Campos e Cunha por afirmar o que todo o país pensa – ‘’Investimento sim, mas investimento estudado para que garanta desenvolvimento’’ - e depois de ter assinado o compromisso de redução do déficit com a UE...
Todas estas situações minam a imagem de credibilidade e confiança que um Governo empenhado em pedir sacrifícios aqueles a quem serve, deve passar.
É natural e legítima a indignação perante este estado de coisas.
O exemplo tem sempre que partir de cima.
Não concordo com manifestações, sou totalmente contra as greves nos moldes em que se verificam.
Acredito que somos culturalmente pequeninos e que nos indignamos muitas vezes sem motivo, apenas por capricho e comodismo, mas quando temos razões legítimas para nos indignarmos, então façamo-lo convenientemente e mudemos de uma vez por todas, mas TODOS.
LM